Possível volta


Já ouvi dizer que os grandes poetas e escritores só conseguem escrever bem mesmo quando não estão 100% satisfeitos com a vida, e nem sempre isso envolve o amor. A meu ver, a solidão também é um grande aliado de um bom escritor. Visto que o ser humano - sendo de sua natureza - nunca está completamente realizado ou feliz em todos os aspectos de sua vida, pela lógica, todos deveriam ser ótimos escritores. Aqui matutando e repensando em tornar esse blog ativo novamente. Quase 2 anos sem escrever aqui, ao menos não o deletei. Aliás, percebo como as pessoas tem facilidade de deletar as coisas de suas vidas. Eu não. Cada coisa que possa carregar alguma lembrança de algo que me aconteceu, torna-se praticamente impossível pra mim de apagar, mesmo que materialmente apenas, de um específico sistema. Vendo alguns blogs hoje, adquiri uma imensa nostalgia da época em que eu vivia apenas para a arte, e – não sei porque - lembrei-me de umas colagens que fiz há um tempo atrás (Fevereiro de 2008). Acho que me tornei algo que eu sempre abominei.






Toda Terça Tem Teatro

Nessa última terça-feira foi a abertura do TTTT - Toda Terça Tem Teatro com o espetáculo "Flashes da Vida" da Cia Mútua - que foi maravilhoso - e no dia 29 tem uma estréia nossa: "Rounin", com o pequeno grande Osmarito. O projeto é uma iniciativa dos grupos que compõem a rede Itajaiense de teatro da cidade de Itajaí, proporcionando espetáculos teatrais a preços populares todas as terças-feiras de setembro a novembro de 2009. A mostra se propõe a disponibilizar ao público itajaiense uma mostra semanal da produção teatral dos grupos companhias itajaienses e seus convidados. Segue a programação do mês de setembro:

Performance "Texto"

Performance que o Porto Cênico realizou no dia 27 de agosto na casa aberta, no lançamento do livro da Adair de Aguiar Neitzel "O jogo das construções hipertextuais". Eu, Osmar, Paulinha e Carol fizemos a performance regada á Tchekhov, Cecilia Meireles, Caio Fernando Abreu e Cortázar. E o cenário ajudou muito.

Olhos de Pry


Todos acham que eu falo demais
E que eu ando bebendo demais
Que essa vida agitada
Não serve pra nada
Andar por aí
Bar em bar, bar em bar
Dizem até que ando rindo demais
E que conto anedotas demais
Que não largo o cigarro
E dirijo o meu carro
Correndo, chegando, no mesmo lugar
Ninguém sabe é que isso acontece porque
Vou passar minha vida esquecendo você
E a razão por que vivo esses dias banais
É porque ando triste, ando triste demais
E é por isso que eu falo demais
É por isso que eu bebo demais
E a razão porque vivo essa vida agitada
Demais
É porque meu amor por você é imenso
O meu amor por você é tão grande...
É porque meu amor por você, é enorme
Demais
Composição: Tom Jobim / Aloysio de Oliveira
Maysa - Demais
Não tem problema, sou acostumada com a solidão.

Um sábado ensolarado




Estava lá fora fotografando e gostei de algumas fotos:




Dona Aranha



Senhor grampo de prender roupas


Maria Flor

Nunca gostei muito das flores. Talvez, porque nunca parei pra prestar atenção na real beleza delas. Sempre gostei mais dos cactos, dos espinhos, do grande poder que eles tem. As plantas carnívoras também sempre me fascinaram. Quando era pequena eu tinha uma, e ficava com um cotonete tocando nela, só pra ela se fechar, então eu o tirava rapidamente e via que tinha enganado o ser mais fantástico das plantas. Era uma sensação muito boa, mas depois eu sempre a recompensava procurando um mosquitinho morto pelo chão e satisfazendo a fome dela.

Fazem uns oito anos que não chego perto de uma dessas.



Priscila Demarch, 27/12/08

-Pensamentos, voem com o vento...
Nós somos jovens, temos a vida inteira pela frente,
temos que arriscar.
Quando percebermos que deveríamos ter arriscado mais,
estaremos velhos demais, e talvez,
já possa ser tarde demais.
Se você ver a sombra na luz do farol ficando maior,
não quer dizer que ela está chegando,
ela pode estar partindo, depende de onde a luz vem;
a luz do farol.
Priscila Demarch, 19-12-08

↓ §

Via só dois terços da lua
porque o resto estava coberto por galhos
galhos das árvores que me cercavam
e no meio delas haviam pequenos animaizinhos
esquilos, cigarras, gafanhotos e morcegos
tocava uma música, mas não fazia diferença
pois meus pensamentos estavam em outro patamar
escutava o coaxar dos sapos e das rãs
e flutuava sem sair do chão,
sem fazer idéia da velocidade com que o tempo passava
queria ver meus dedos dos pés mas não estava descalço
até que num simples estalo,
caí em mim
e vi que era hora de acalmar os que estavam a me procurar
e dizer-lhes que eu estava bem.

Priscila Demarch, 22/07/08


Ornitorrinco



Existem 9 parafusos parafusando o banco da frente de dentro do ônibus.

Todos eles.

No total 54.

São 486 parafusos parafusando os bancos de dentro do ônibus.

é 2
2
2
e 3.

9!
Priscila Demarch, 03/12/07

Vivo no mundo da fantasia.


Adoro o cinema. Adoro os filmes que fantasiam a minha imaginação. Gosto de sentir que faço parte do filme, que sou uma personagem. É um momento único, que mesmo após o término do filme, a magia fica em mim como uma chama acesa. Ás vezes fico vivendo o filme no meu dia-a-dia por semanas. É um banho de emoções, imagens e músicas. O livro, é diferentemente outra coisa maravilhosa, repleto de letras e as vezes imagens que me ingressam em outro mundo onde quem cria a trilha sonora, a fantasia, os cenários e os gestos sou eu. Fica difí­cil explicar uma coisa que não tem explicação. Ás vezes fico pensando se é só eu que me entrego tanto a essa arte maravilhosa. Porque quando eu ando nas ruas eu estou em outro mundo, que não é o mundo real, enquanto todas as pessoas ao meu redor estão vivendo o que realmente está se passando. Não usam a imaginação e as coisas boas que grandes escritores e diretores nos trazem. - tão sem graça! É tão bom fantasiar as vezes a rotina que não tem graça alguma... Eu escrevo isso para todos, para relembrar-vos, que não devem ter vergonha e medo de fantasiar e florir a vida. Assista um filme para crianças para começar a ingressar nesse novo mundo.

Dica de filmes: “Na ponte de Terabíthia” (foto) e “A procura da Terra do Nunca”.

Priscila Demarch, 14/09/07

Quero uma criança para ser presidente do Brasil!


Uma criança, quando é apenas uma criança pensa que pode mudar o mundo. Está tudo em suas mãos, ela pode voar, pode comer comida de cachorro, pode pular muito alto, pode até sair correndo pelada pela rua. Tudo isso, sem vergonha, sem medo de ser feliz, na maior inocência de seus coraçõezinhos. Quando se é criança, você tem vontade de ir pra lua, de ser bombeiro, para salvar as pessoas, ou ser veterinário para pegar todos os bichinhos de rua que não tem teto e passam fome e abrir uma casa e colocar todos lá dentro, de ser presidente do Brasil, pra dar um jeito nessa palhaçada, vive mandando seus pais botarem o cinto de segurança, pois aprendeu na escola que isto é o certo. Que ninguém jogue lixo na rua, ou desperdice água, nossa... Você vira uma fera! Com suas mãozinhas vai lá e recolhe o lixo, ou desliga a torneira e já segue dando lição de moral em quem cometeu este crime. Assim era eu. Aí... O tempo vai passando, você vai crescendo, vê que as coisas não são tão fáceis como pareciam. Ah! Só um papel de bala no chão, ou lavar o carro com a mangueira aberta não vai fazer diferença, se os outros não fazem porque hei de fazer? É... Aí já chegam as mentiras, começa a mentir pros pais, pros amigos, pro namorado, e, vai virando uma bola de neve, você já fica acostumada com a situação, que nem da mais bola pra corrupção que acontece em seu país, afinal, isto não te atinge (diretamente). Não quer mais nem saber de ir pra lua, muito menos quer se meter na presidência do país, o único motivo hoje, seria o dinheiro, mas não vale a pena pela incomodação. Veterinário? Numa simples viajem pegando a BR você vê em torno de três animais mortos na pista, e isto não te choca mais. A sua vida virou, trabalhar, ganhar o dinheiro para levar uma vida meia-boca, dormir, sair com os amigos, sem fazer nada de produtivo, e se um dia precisar fazer um favor a eles, se for ao raio de 10 metros, você faz. As crianças são o futuro do nosso país, pois eu acho que deveríamos fazer nosso futuro agora, se todos voltassem a pensar como pensávamos quando éramos criança, com certeza o mundo ia ser mais colorido. E eu sinto falta, porque no fundo tem uma criança dentro de mim querendo sair, mas são tantas as responsabilidades, que se viermos com uma idéia fora dos padrões agente vira maluco. Agente relaxa, se acomoda, e é assim deixando pros outros fazerem o que agente poderia estar fazendo, “empurrando com a barriga” que tudo vai perdendo valor, que tudo vai decaindo. Ai! Se continuar escrevendo isso, alguém pode ler, tenho que voltar para o meu trabalho, para ganhar meu dinheiro, ir ao bar com os amigos e então ir pra casa dormir, afinal, é assim a vida da maioria das pessoas, e eu não posso aqui, sair do padrão certo? Boa noite. Vivam suas vidas do jeito certo! Pense sobre o assunto, dê mais valor aos pequenos detalhes, converse com uma criança, você faz a diferença.

Priscila Demarch, 20/09/06

[foto, eu e meu sobrinho-afilhado Ramon em dezembro de 2007]

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